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"Você pode ser pequeno em questão de equipe enxuta, mas consegue realizar grandes projetos", diz jornalista empreendedora

Dona do seu próprio negócio, a Jornalista Rafaela Barreto conta a sua trajetória empreendendo

16/04/2021 19h49 Atualizada há 4 semanas
Por: Graciele Oliveira

Independente do negócio todo empreendedor tem os seus desafios e não seria diferente com profissionais de jornalismo que resolveram empreender com a profissão. A convidada da semana, dando início a série de entrevistas “Mulheres Jornalistas no comando dos seus negócios: Um olhar sobre o desafio e a oportunidade”, temos a jornalista Rafaela Barreto, que trabalha com marketing digital há 5 anos, ajudando outros jornalistas a se posicionarem no mercado de trabalho.

Rafaela relata que sempre atuou na área, com a carreira corporativa e ainda contínua com o trabalho formal e encontrou uma oportunidade no mercado digital.

“Sou formada em jornalismo e ainda quando estudante, tudo que me era oferecido nas oportunidades de estágio, ou até mesmo de emprego no início da minha carreira, era relacionado com o marketing digital. Na faculdade eu não fui preparada para isso, então eu fui trilhando o meu amadurecimento no marketing digital. Então pensei que se eu tive essa dificuldade de talvez não saber quais eram os cursos a fazer, quais os melhores caminhos, como fazer isso dar certo ou como formar a minha marca também, eu poderia usar isso a meu favor e ajudar outros colegas de profissão”.

Diferente de outros empreendimentos, a jornalista não foi atrás de vender serviços ou produtos e sim empreender os seus conhecimentos com a área da comunicação para ajudar outros jornalistas que precisam trabalhar o seu marketing pessoal.

“Nós jornalistas às vezes fala de empreendedorismo e as pessoas tem muito de achar que se trata de vender algo como produto ou serviço, mas também tem muito com a criação da marca pessoal do jornalista, que envolve o nome pessoal do profissional. Enxerguei que outras pessoas também podem ter dificuldades com isso. Como sempre foi uma vontade minha trabalhar ensinando, resolvi unir a oportunidade com a vontade e habilidade. Por ser algo que eu gosto de fazer e sei fazer. Passei a empreender os meus serviços de consultoria e também de treinamento de marketing digital para outros jornalistas. Ensino a esses jornalistas a venderem melhor os seus freelas, principalmente, pois é a vertente maior do meu trabalho e também a terem mais sucesso com os seus projetos de marketing pessoal”, conta Rafaela.

Se engana quem acha que empreender no jornalismo é um tema novo, isso já acontece há anos, ou sempre, mas nunca tão exaltado como agora. É comum encontrar esses profissionais com seus trabalhos formais, CLT, mas também tendo outros trabalhos por fora, os famosos freelancers. A diferença é que muitos desses profissionais não regularizam suas situações de prestação de serviços, como a abertura de um CNPJ e acaba ficando no boca-boca.  Inclusive, ontem (15) foi aprovado o projeto de lei que permite o jornalista se tonar um microempreendedor individual (MEI), ou seja, abrindo margem para esses profissionais aderirem mais ainda o empreendedorismo. O projeto de lei foi aprovado justamente por trabalharem como freelancers e dificilmente ganharem R$ 81 mil por ano, o que denota a precarização da profissão jornalista.

 É o que a Rafaela conta sobre sua trajetória até chegar a se tonar uma jornalista empreendedora.

“Em paralelo na minha carreira corporativa, eu sempre tive freelas de comunicação, porém esses freelas não eram divulgados, a minha agenda era ocupada somente com aqueles trabalhinhos das pessoas que já me conheciam e eu não tinha perfil profissional nas redes sociais. Eu já era empreendedora antes, já tinha um mini negócio, mas empreender de fato, abrir um CNPJ, me expor na internet para produzir conteúdo, isso veio muito depois”.

Ela conta que foi a experiência em uma agência de marketing que lhe despertou o interesse em empreender: “eu comecei a empreender no primeiro momento que eu comecei a trabalhar em agência de marketing digital, que foi a minha primeira experiência e logo depois com os meus próprios projetos que foi quando eu comecei a divulgar meu nome da internet”.

Enfrentando os desafios

O que antes era entretenimento, publicar fotos das viagens, por pura vaidade, tornou-se trabalho, foi o que trouxe o Instagram. O marketing digital vem mudando a vida dos profissionais que atuam na área, e na vida das pessoas e empresas que apostam em investir em um bom marketing. Mas são muitas formulas de sucesso sendo vendidas, o deslumbre da profissão sendo vendido, mas na prática não é bem assim que funciona.

 “Eu já entrei nisso muito consciente que no marketing digital a gente tem um deslumbre da facilidade, o deslumbre de que tudo é grande, tudo é alto, muitos seguidores, dinheiro, faturamento no topo. Só que a gente esquece que esse é um negócio como qualquer outro, claro, que você consegue escalar com muito mais facilidade que outros, porém você está abrindo uma empresa como um negócio físico. Então é preciso entender que tem o tempo de maturação do negócio”.

Por mais que haja suas facilidades, o trabalho muita das vezes é totalmente home office, todo negócio tem suas dificuldades e etapas que se forem puladas o prejuízo vem, cedo ou tarde. Rafaela relata como foi o seu início.

“Os desafios não são tão diferentes do que as pessoas encontram em outros mercados, para além do jornalismo digital, que é basicamente você ter que definir um plano e muitas vezes você é marinheiro de primeira viagem, então definir um plano por si só já é uma grande tarefa, e nesse sentido se torna muito maior”.

Para a jornalista, seus desafios iniciais foram de gerenciar seu próprio negócio e ser uma iniciante na aposta.

“Há o desafio do iniciante não ter noção que precisa de um plano e ele pula essa etapa e vai aprendendo na marra. Também aconteceu comigo e foi um dos desafios. Compreender como executar as coisas dentro da rotina do pouco tempo que eu tenho, como utilizar o tipo de serviço que eu presto, o tipo de produto, o infroproduto no caso que eu vendo. E você se pergunta como fazer isso, né? Então esse é outro desafio que enfrentei. E o terceiro desafio seria o gerencial, porque muitas vezes numa equipe enxuta você é um jogador que joga em todas as posições, sendo que você tem que ter a visão de gestão, enxergar como um empreendedor, empresário e não um funcionário da sua empresa, esse é um desafio eterno que eu vivo e acredito que outras pessoas também”, relata a jornalista.

Já foi falado anteriormente aqui sobre o custo benefício de empreender com o jornalismo, pois acaba precisando de um capital de giro bem simbólico para iniciar e uma equipe pequena.

“Eu entrei ciente com a visão de investimento, de contratar ferramentas para poder facilitar o meu trabalho e dar mais qualidade ao meu trabalho, em contratar uma pequena equipe. Eu tenho auxílio de duas pessoas na minha equipe e quando é necessário eu contrato freelas para algum trabalho pontual. Então sempre fui ciente que você pode ser pequeno em questão de equipe enxuta, mas consegue realizar grandes projetos”.

A jornalista já trabalhou em revista, produtora de cinema, com a comunicação de saúde e política.

Rafaela deixa uma mensagem e um alerta para os Jornalistas.

“Eu compreendo que o jornalista que não for para o digital ele corre grande risco em relação a sua carreira, em termos de promoção, de avançar na carreira ou até mesmo de se destacar. Não estou dizendo que as mídias tradicionais vão acabar, o que quero dizer é que mesmo que o jornalista que trabalha em uma redação, em uma rádio, ele acaba que tem que compreender pelo menos o mínimo do digital justamente para poder fazer a ponte entre o offline e o online. Esteja no digital se você quer empreender. Acompanhe as mudanças do mercado, porque hoje o marketing digital não é só marketing digital, a comunicação de forma geral está no digital".  

 

 

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