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Influenciadora defende jejum de 7 dias e médico responde: 'Totalmente desprovido de evidência científica'

Associação Brasileira de Nutrição explica que não existem evidências científicas sobre a segurança da prática e que são necessários mais 'estudos controlados e randomizados'

30/04/2021 15h50
Por: Redação Fonte: G1
Reprodução
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Mayra Cardi, influenciadora, publicou em sua conta no Instagram nesta quarta-feira (28) que fez um jejum de 7 dias e que "não imaginava que iria ser tão mágico" (veja imagem acima). A restrição gerou respostas acaloradas de ambos os lados - defensores e não-defensores. A Associação Brasileira de Nutrição (Asbran) não recomenda a prática.

"Queria ficar mais dias pois ainda não tenho fome, mas eu obedeci sendo um primeiro [jejum] de 7 dias", escreveu Cardi.

O médico nutrólogo Bruno Cosme também comentou o assunto na rede social, o que acabou gerando um embate com a influenciadora. Segundo ele, o jejum é "totalmente desprovido de evidências científicas" (assista ao vídeo abaixo).

O G1 entrou em contato com a equipe de Mayra Cardi para mais informações sobre assunto, mas, até a publicação da reportagem, não havia recebido um posicionamento.

Mas o que é o jejum intermitente? De acordo com a Associação Brasileira de Nutrição (Asbran), a restrição pode ocorrer em dias alternados, dias inteiros ou com tempo limitado.

Um comitê científico da Asbran analisou o assunto e publicou um parecer em 2019. O G1 entrou em contato e o documento foi enviado, sem alterações. A recomendação ainda é a mesma: "as alegações para sua utilização ainda são insuficientes para sua recomendação".

De acordo com a Asbran, o "jejum intermitente ganhou popularidade ao longo da última década, apesar da prática ser mundialmente realizada desde a antiguidade, especialmente por grupos religiosos, dentre estes os budistas, cristãos, muçulmanos e hindus".

No entanto, o documento diz que a "hipótese mais aceita cientificamente" quanto à origem da obesidade e demais doenças crônicas está "fortemente associada à falta de estilo de vida saudável (alimentação inadequada e sedentarismo) e não necessariamente ao fracionamento ou intervalos menores ou maiores de alimentação".

"Não há subsídios científicos suficientes para que não seja seguido um padrão alimentar baseado em alimentação diária, com refeições fracionadas em 5 ou 6 porções ao longo do dia" - Associação Brasileira de Nutrição.

Os especialistas da Asbran explicam que a prática é baseada em estudos que foram feitos em animais, e também em dados do jejum religioso (particularmente o Ramadã). As diversas religiões que adotam o jejum "realizam isso de forma esporádica e sem alteração do padrão alimentar por longo tempo".

Os nutricionistas defendem mais estudos controlados e randomizados, com padrão ouro, para poder chegar a uma conclusão com segurança e sem chance de desenvolvimento de distúrbios alimentares.

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